Publicado em Brasil, Medicina, Mundo, Política, Sociedade

Coronavírus, Março 2020

Por Raquel Sallum

No momento em que a Terra parou, no mês de março do ano de 2020, a sociedade brasileira foi submetida a uma quarentena devido a invasão de um misterioso vírus de nome Corona (Covid-19), que, por sinal, simbolicamente lembra uma coroa. Tendo iniciado seu reinado em nosso planeta no segundo semestre do ano 2019, ele trouxe à tona inúmeros problemas econômicos, psicológicos, sociais, biológicos e ambientais de uma humanidade saturada. 

No caso brasileiro, manifestações populares pediram socorro. Começamos com os panelaços em nossas varandas contra um presidente inconsequente que fazia escolhas entre salvar vidas ou salvar uma economia falida, como se estivesse jogando roleta russa com o Covid. O sistema rapida e desesperadamente buscou mudanças, atiçando um sistema capitalista falido. A experiência com o Corona tem nos mostrado o quanto somos frágeis; não foi necessária uma Terceira Guerra Mundial para nos provar isso, pois o desastre em mortes causadas pelo vírus, tanto lembra um cenário de guerra. 

Agora, tecnologias tomam as frentes, trazendo informações e aproximando vidas que, na atual conjuntura, apenas as máquinas nos conectariam como humanidade. As escolas e universidades adotaram um novo sistema emergencial de aulas online; as empresas colocaram trabalhadores em modelo home office; os transportes públicos, superlotados, diminuíram a lotação. As ruas passaram a ser mais limpas; ônibus e metrôs passaram a ser higienizados com maior frequência; empresas privadas passaram a voltar suas atividades e economias para auxiliar o setor de saúde – hospitais receberam máquinas e investimento -; estádios de futebol foram transformados em hospitais de campanha emergenciais. As pessoas a as administrações públicas (não o presidente da República, claro) começaram a se preocupar com a higienização das cidades e das famílias, trazendo a importância da limpeza e da higiene como combate ao vírus. A saúde passou a ser uma prioridade e as pesquisas científicas entraram em uma corrida para encontrar a uma cura para o Corona. Porém, na contramão de tanta coisa boa acontecendo, há os aproveitadores, que superfaturam preços de máscaras, álcool em gel, luvas, álcool: artigos simples que em alguns lugares estão custando como se fossem artigos de luxo, tendo o preço subido quase 400%! 

As pessoas, agora, podem olhar internamente para suas vidas e podem compreender sua existência enquanto param. Tiveram que inverter os valores do que realmente importa. Reflexão que não se aplica ao nosso atual presidente da República, senhor Jair Messias Bolsonaro. Com argumentos ilógicos e desconexos, chamando a pandemia de “gripezinha”, insiste para que tudo seja como sempre foi e que continuemos nossas vidas como se uma tragédia não estivesse acontecendo (e em TODO o planeta!). O presidente não quer que a atividade econômica pare, protegendo, assim, os supersalários e benefícios surreais dos ministros – para ele é normal arriscar vidas por um ministério que nada faz pela própria população. 

O Corona trouxe à superfície problemas que estavam escondidos debaixo do tapete da nossa sociedade e do nosso governo, se mostrando uma situação pronta a explodir como uma bomba-relógio. O Covid nos obrigou a fazer uma pausa para pensarmos em nós e em nosso planeta, é só observar como a natureza tem reagido à reclusão humana. Essa pandemia veio como um lembrete do que realmente precisa ser transformado.