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19 de Agosto, dia Nacional do Historiador

No dia 19 de Agosto comemora-se o Dia Nacional do Historiador. O Historiador (tomo por “Historiador” a generalização de homens e mulheres) é o profissional que vasculha o passado, estuda-o em diversas análises e se encarrega de transformar o presente por meio das interpretações. Ou seja, por meio da preservação e compreensão do passado, ensinamos a todas as gerações sobre preservar nossas raízes e evoluir culturalmente baseado no que as sociedades produziram ao longo dos anos.

Neste post, trago 5 curiosidades sobre fatos em História que influenciaram os rumos dessa ciência, e que você provavelmente não sabia! Vamos lá?

Quem é o primeiro Historiador?

Ah, Heródoto! Considerado como o Pai da História, Heródoto deixou relatos muito importantes sobre as sociedades da época em que viveu. Mas ele não foi, de fato, o primeiro historiador.

Nascido por volta de 1281 a.C. (cerca de 800 anos antes de Heródoto), Khaemuaset foi o khaemuasetquarto filho do Faraó Ramsés II, e é a primeira pessoa de que se tem notícia, que se dedicou a pesquisar, registrar e conservar as memórias do passado restaurando templos, túmulos e inscrições. Khaemuaset foi um sacerdote do Deus Ptah e ficou conhecido, já em sua época, como sendo um príncipe que se dedicava a preservar a história do país. Assim, ele é considerado o primeiro Historiador/Arqueólogo/Egiptólogo de que se tem registro. Por causa de seus esforços, muitos monumentos (incluindo alguns na região das Pirâmides) estão preservados até hoje e não caíram no esquecimento.

Por que ele é importante? Khaemuaset é o primeiro historiador e egiptólogo de quem se tem registros. Ele atuou em conservação, restauração e pesquisa. Graças a ele, muitos monumentos foram conservados resistindo até os dias de hoje. Ele foi o primeiro a compreender que se deveria preservar o passado e manter uma memória de identidade viva.

Heródoto, o Pai da História

Heródoto de Halicarnasso é, provavelmente, o mais famoso historiador do mundo – e da História. Ele deixou importantes obras sobre as sociedades que visitou em sua época, obras que ainda hoje são usadas como fontes de pesquisa para referências de sociedades antigas.

Nascido em 785 a.C., em Halicarnasso, hoje Turquia, Heródoto durante a sua vida se herodotodedicou a deixar relatos de guerras, estilos de vida e de suas viagens. Seus relatos foram reunidos em uma obra chamada História. Heródoto foi o primeiro a entender que o passado poderia ser considerado um problema filosófico e que poderia ter influências no comportamento humano e, assim, passou a se dedicar estudá-lo. Por isso, é chamado de o Pai da História.

O problema enfrentado pelas obras de Heródoto é que, apesar de extremamente ricas em detalhes, elas não são consideradas imparciais e confiáveis. Heródoto carrega muito da sua visão de mundo para seus relatos, porém, ele busca registrar o que vê e o que ouve (por exemplo, sobre a construção das pirâmides foi um dos que propagou a “fofoca” de que Quéops prostituía a filha para financiar a construção), infelizmente, sem muita averiguação da veracidade da informação.

Por que ele é importante? Heródoto foi o primeiro pensador a compreender que o estudo do passado poderia influenciar nas atitudes do presente. Registrando suas viagens e impressões, ele deixou um legado que até hoje nos ajuda a compreender sobre povos da antiguidade, e em suas obras estão relatos que se perderam no esquecimento pela falta da prática da história oral.

Nasce a profissão de Historiador

Heródoto foi o “pai da História, mas é Tucídides quem se caracteriza profissionalmente como o primeiro Historiador. Diferente de Heródoto, Tucídides (nascido por volta de 465 a.C., em Atenas) tenta ao máximo narrar os fatos observados com imparcialidade e tenta explicá-los.

Ao longo dos séculos, muitos se dedicaram a pesquisar o passado, e muitos se dedicaram a comprar objetos de outras culturas (contrabando de peças era muito popular e comum) para constituir coleções pessoais. Os primeiros museus foram criados a partir do século XVII e reuniam obras doadas, roubadas e compradas de países visitados por aventureiros e pesquisadores.

Mesmo com ciências como a arqueologia e a egiptologia em alta durante os séculos XVIII e XIX, a profissão de Historiador foi regulamentada como “Historiografia” apenas no final do século XIX.

Por que a profissão de Historiador é importante? Historiadores são os responsáveis por descobrir o passado, assim, preservando as memórias das culturas. Por meio das análises feitas das descobertas e pesquisas, conseguimos compreender mais da nossa identidade enquanto povos, e podemos usar essas análises para melhorar nosso presente e nosso futuro, afinal, o historiador é um profissional versátil que pode se especializar em muitas outras áreas.

Description de l’Égypte

Napoleão Bonaparte organizou a mais famosa expedição arqueológica ao Egito, durante Description de l'Egypto século XVIII, num esforço enorme para entender o país. Em sua expedição, haviam profissionais desenhistas, botânicos, arquitetos, historiadores, linguístas, engenheiros, matemáticos, filósofos… tudo para entender a Terra dos Faraós. Dessa expedição, surgiu um livro chamado Description de l’Egypté, que é uma enciclopédia ilustrada sobre todo o Egito e sua história.

Esta enciclopédia foi publicada pela primeira vez em 1809 e é composta por 10 volumes.

Por que essa obra é importante? Descrição do Egito (tradução literal do francês) foi a primeira grande expedição antropológica e arqueológica de que se tem notícia. Por meio da expedição de Napoleão muito da arquitetura e da arte egípcia foi preservada graças à reprodução de artistas. Essa expedição foi a primeira união entre diversas áreas da ciência para o estudo de uma cultura, sob diferentes perspectivas. Também técnicas de conservação e catalogação começaram a ser desenvolvidas.

19 de Agosto, Dia Nacional do Historiador

No dia 19 de agosto, no Brasil, comemora-se o Dia Nacional do Historiador. Essa data foi joaquim nabucoinstituída em 2009, em homenagem a Joaquim Nabuco.

Joaquim Nabuco nasceu justamente em 19 de agosto e além de ter sido um importante abolicionista, compôs a 27ª cadeira da Academia Brasileira de Letras. Foi, também, advogado, político, diplomata, jurista, orador, jornalista e historiador.

Por que essa data é tão importante? O profissional de História merece ter um reconhecimento próprio e justo, afinal, é o profissional que se dedica a aprender com o passado para evoluir o presente e garantir o sucesso do futuro. O Historiador e o Professor de História são responsáveis por formar opiniões críticas, imparciais e factuais sobre as culturas. A valorização da profissão é importante para o desenvolvimento da própria sociedade, no que diz respeito à conservação de memória, formação de opinião, culturalidade e até desenvolvimento pessoal.

Para saber um pouco mais sobre as curiosidades acima, recomendo os links abaixo:

Khaemuaset (todos os links estão em inglês)

Heródoto

Profissão Historiador

Surgimento dos museus

A expedição de Napoleão ao Egito

Sobre Joaquim Nabuco

Por Helena Salgado

*Créditos de imagens: Google
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Visitando o Mundo em tempos de reclusão

Por Helena Salgado

Com a indicação atual para não sairmos de casa em função da pandemia de Covid-19, muitos países estão adotando um sistema de quarentena impedindo – em alguns lugares com punições – que as pessoas circulem pelas cidades afetadas sem necessidade.

Quando o cenário mundial foi bruscamente alterado para conter a disseminação de um vírus, como fica a questão das viagens turísticas? E aquela viagem dos sonhos que precisou ser cancelada por causa do Coronavírus?

Pensando nisso, muitos países abriram as portas de seus museus, parques e monumentos permitindo às pessoas realizarem tours online, no conforto de suas casas. Alguns links pedem que o usuário tenha em seu aparelho o aplicativo Google Arts & Culture (recomendo que baixem o app, vale MUITO a pena!).

Essa é uma ótima maneira para se conhecer um lugar novo, aquele lugar dos sonhos, e até replanejar ou criar uma viagem incrível para ver de perto os mesmos lugares que podemos ver online.

Organizei uma lista com alguns tours virtuais imperdíveis de parques, museus e sítios arqueológicos de diferentes países. Dá uma olhadinha:

Austrália:

Brasil:

Egito:

Espanha:

Estados Unidos:

França:

Inglaterra:

Itália:

Japão:

Noruega:

Vaticano:

Vietnã:

Aproveite os tours para conhecer o mundo sem sair de casa e já planeje sua próxima viagem para conhecer de perto esses lugares maravilhosos!

Fontes:

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Exposição CCBB Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade

Estive na exposição do CCBB sobre o Egito Antigo! E vou dizer… Fiz bem em reservar ingresso pra mais um dia!

Eu sou suspeita, pois sou apaixonadíssima por Antigo Egito. Estava ansiosa para essa exposição e fui correspondida: as peças são lindas, bem restauradas e conservadas. Confesso que foi emocionante ver de pertinho objetos que eu namorava nos meus livros de Egiptologia!

A exposição traz um pouco de cotidiano, rotina funerária e arte, e dá um gostinho para os brasileiros do que estará por vir no GEM, que inaugura esse ano no Cairo.

A coleção acolhida pelo CCBB veio do Museo Egizio di Turim, na Itália, um dos museus mais importantes sobre cultura egípcia fora do Egito.

A exposição está disposta em 6 andares do CCBB – subsolo, 4° andar, 3° andar, 2° andar, 1° andar e térreo. Começamos o passeio pelo subsolo, seguimos até o 4° andar de elevador, e de lá, fomos descendo de escada pelos outros andares até finalizar nosso passeio no térreo, onde tem a pirâmide em escala com atividades dentro e a lojinha, fora da exposição.

Não, eu não vou contar com detalhes o que tem em cada andar para não estragar o suspense!

Mas, para ter uma ideia, nessa exposição você vai ver maquetes, múmias de animais, uma múmia humana, acessórios, sarcófagos, itens funerários, estatuetas de deuses, uma linda e maravilhosa estátua de Sekhmet, fragmentos de túmulos e sarcófagos (portas falsas, piramidions e altar), um papiro com trecho do Livro dos Mortos, apetrechos para maquiagem… E tem um vídeo no subsolo falando sobre arte, confira!

A lojinha, ao final da exposição, tem livros e presentinhos bem lindinhos e fofos. Os imãs e bottoms são lindos! Eu comprei um livro (Agatha Christie, Akhenaton), um pingente de escaravelho e um bottom, e minha conta deu R$ 70,00. Siiim, um pouquinho salgado! Então minha dica: vá com dinheiro para gastar. Ou, se por acaso você tem viagem marcada para o Egito esse ano, NÃO COMPRE NADA! No Egito, vá ao Khan el Khalili e lá você vai comprar o triplo de coisa pelo valor de uma aqui. Chaveiros, canecas, pingentes, imãs… Se você vai ao Egito esse ano, não compre no CCBB a não ser que queira o temático da exposição.

Trust me!

Para entrar, eu reservei meus ingressos pelo app do Eventim. Não vi ninguém sem ingresso entrando, porém, ouvi relatos de que é possível entrar sem agendar horário/reservar ingresso. O passeio é organizado por fichas, ou seja, entra um número limitado de pessoas em cada sala, pois na entrada recebemos uma ficha que devolvemos ao sair e isso controla o número de pessoas que entra nos espaços.

Fotos são permitidas, porém, sem flash. Respeite, ok? E, inclusive, finalizo esse post com 4 fotos que tirei para aguçar a curiosidade de vocês.

Confira!

Ushabtis. O papel deles era substituir a alma do morto nos campos de trabalho no Além.
Pequeno sarcófago de falcão representando o Deus dos céus e da monarquia, Hórus.
Múmias de gatos e sarcófago para gato.
Detalhe de tampa de sarcófago.

O CCBB fica no Centro de São Paulo, há cerca de 5 minutos a pé da estação de metrô São Bento, linha azul.

Mas corre!! Pois a exposição vai só até o dia 11/05!