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Cultura, religião e política: como um influencia o outro e como isso afeta nossa vida

Você já parou pra pensar como cultura, religião e política estão conectados? E qual o impacto dessa conexão nas nossas vidas? Conceitos tão diferentes mas, que acaba sendo difícil você falar sobre um sem comentar sobre o outro.

É muito comum entender que religião é uma forma de cultura e política não.

Pra melhorar a compreensão da ideia geral, base deste post, primeiro quero abordar separadamente, e em linhas gerais, o que cada conceito significa. Não farei uma abordagem profunda, nem pretendo citar pensadores e estudiosos que escreveram sobre o que cada conceito representa, sendo esta, uma proposta para outros posts.

Por ora, vou ficar com as ideias centrais dos conceitos para, enfim, abordar o tema central deste post: cultura, religião e política, e como as ideias se conectam e moldam a nossa sociedade.

É importante, também, que você leitor compreenda que meu texto é a expressão de uma ideia, baseada em fatos históricos, e de forma alguma eu busco denegrir alguém ou alguma religião específica. Os exemplos citados são usados para convidá-l@ a refletir sobre uma problemática embutida na sociedade desde tempos antigos. E, convido-os ao final, a pensar em como podemos mudar essa realidade e caminhar para uma evolução justa de cultura e sociedade.

Cultura

Cultura é um conceito complexo de ser explicado de maneira única. Mas, nada mais é do que uma forma de expressão e aprendizado. Cultura pode ser caracterizada como a identidade de uma nação ou de um grupo social, estando inseridas nela outras culturas menores, as culturas que isoladamente compõem a identidade daquele povo ou grupo, sendo observada em variações culturais regionais (por exemplo, as festas da região do nordeste brasileiro). A cultura também vai expressar as ideologias, a personalidade e até a visão política de um determinado país; se é uma nação conservadora, uma nação inovadora, uma nação idealista, coletivista, etc. Cultura é costumeiramente associada às civilizações, e também a aspectos como arte, música, festas, linguística, geografia, etc. A cultura é uma forma de estudar as sociedades e poder compreender o momento histórico no qual estão inseridas.

Religião

Religião caracteriza o conjunto de visões de mundo, valores e crenças de um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos que expressam suas crenças por meio da fé. A maioria das religiões possui um sistema de hierarquias e líderes que determinam ou detém símbolos e direcionam ou induzem comportamentos relacionados à crença que professam.

Política

Política, refere-se às organização e administração dos Estados e nações. Ela organiza as ideias de administração interna e externa.

E como tudo se conecta e se influencia? Qual o impacto da conexão entre esses conceitos em nossa sociedade?

Agora que já sabemos como definir os conceitos de cultura, religião e política, como enxergamos a conexão entre eles e a influência? Isso pode ser usado para manipular as pessoas? Para influenciar o que fazemos no nosso dia a dia?

A reposta para as duas perguntas acima é: sim.

Religião e política influenciam diretamente a forma como produzimos cultura. E isso vem desde os primórdios da humanidade.

Uma das primeiras expressões culturais datadas que temos da história do ser humano são as pinturas em cavernas que precedem as civilizações. Grande parte dessas pinturas é uma expressão cultural de caráter religioso. Sem compreender muito do mundo ao seu redor, o homem pintava nas paredes coisas que faziam sentido para a visão de mundo que ele tinha naquele momento: se ele pintasse os animais nas paredes, os animais estariam presos magicamente e isso facilitaria a caça – por exemplo. Logo, para explicar o mundo, o homem começou a produzir arte (cultura) religiosa: estátuas de mulheres de quadris largos que representavam fertilidade, pinturas de festas celebrando as estações, e a agricultura… A crença humana se baseava em uma força que concedia os dias e as noites; o ciclo do sol era algo mágico onde o sol sumia e o mundo travava uma batalha contra as trevas todas as noites.

Assim, figuras de poder foram surgindo, de forma que conseguiam, por meio de uma retórica extremamente eficaz, convencer as pessoas a cumprir certos rituais para que os dias sempre surgissem – por exemplo, os rituais de sacrifício maias e astecas que, com a doação de sangue humano, acreditavam garantir o funcionamento do universo agrandando os deuses com sacrifício humano. No Egito Antigo, acreditava-se que o deus-sol Rá, durante os eclipses, batalhava com a serpente do caos Apófis, e diversos rituais eram feitos para ajudar o deus a vencer, bem como a população acreditava que os dias de eclipse eram dias de muito azar e, por isso, ninguém deveria sair de casa. Essas figuras de poder, que controlavam os sacrifícios e os rituais durante o eclipse, eram os sacerdotes. E, em praticamente todas as sociedades antigas, o rumo que um governo tomava, estava fortemente conectado às opiniões desses sacerdotes. Pois eles sabiam como agradar aos deuses.

Logo, a figura do governante estava conectada à dos líderes religiosos. Como? Os governantes legitimavam seu poder usando a religião (o deus X era pai do rei e, portanto, lhe foi concedido o direito divino de governar). Então, conforme o deus concedia o trono àquele líder, festas eram organizadas para celebrar a divindade do rei tanto para agradar aos deuses como para felicitar o povo e para mostrar a opulência e generosidade do novo governante. Nessa época, política era feita baseada em festivais, dias de sorte ou azar e no humor dos deuses. E a produção cultural? A produção cultural tinha, também, forte influência religiosa com impactos de política. O exemplo mais famoso e simples que encontramos é sobre o Faraó Ramsés II, do Egito. Ramsés, em vida, foi considerado um deus. Ramsés é um dos faraós mais famosos da história egípcia pelo simples fato dele ter usado a política e a religião para fazer propaganda. E o que ele fez? Ele usurpou obras de faraós que o precederam (sim, entendam que ele roubou e colocou o nome dele na maior cara de pau! rs) justamente pra espalhar seu nome e influência por todo o Império Egípcio e, ainda, construiu estátuas e templos colossais (vide os templos de Abu Simbel) para que, não só fosse feita propaganda política do seu poder nas fronteiras, mas assim, ele seria legitimado como um deus entre os homens. A expressão artística durante a Antiguidade era uma mistura inseparável entre religião e política.

Até aqui, você já pode imaginar como religião e política moldaram as civilizações antiga, certo?

Vamos continuar!

Da Antiguidade para a Idade Média, a influência da religião na política pode ser vista, por exemplo, nas Cruzadas, na Inquisição e no direito divino que o rei dizia ter quando assumia o trono. Religião garantia poder pois controlava o pensamento da massa trabalhadora. Ou seja, desde a Antiguidade, sendo uma artimanha aprimorada durante a Idade Média, a religião controlou a política. Religião controlava terras, pessoas e guerras. A expressão cultural da Idade Média assume um caráter religioso muito forte, e pode ser visto, especialmente, nos murais e nos quadros que se conservaram até os nossos dias.

Outro ponto importante do controle que a religião exercia sobre a política era com relação a ciência. Poucos avanços científicos e tecnológicos (se compararmos com o Renascimento) aconteceram durante a Idade Média pois havia a forte influência da Igreja na perseguição às novidades e a qualquer coisa que pudesse questionar a autoridade religiosa do líder. Assim, sob o controle da religião, o Estado Medieval condenava inovações, descobertas e qualquer outra coisa que fosse “fora da caixa” e da zona de conforto do governo. A expressão cultural medieval era muito influenciada pela religião, como podemos ver nos relatos das Cruzadas e da própria Inquisição. O medo da morte sem perdão e do inferno, era o que direcionava a vida do homem medieval.

Agora imagino que você tenha feito um paralelo com os dias atuais, certo?

Da Idade Média para a Idade Moderna, nada parece ter mudado muito. Nossa expressão cultural sofre ação direta da política e da religião. E isso é visto especialmente na diferença entre classes e nas decisões que os representantes do governo precisam tomar. Hoje, ainda mais do que na Idade Média, precisamos ter cuidado com a forma como nos expressamos ou podemos cair num conflito religioso e/ou político. As problemáticas da nossa sociedade têm como um núcleo comum conflitos políticos e religiosos.

O perigo de misturar tanto política e religião, é o controle das massas que deixam de pensar e de se expressar conforme bem gostariam ou conforme a sociedade evolui. Enquanto o Estado (ou seja, nação) não desvincular completamente a religião da política, continuaremos a ver a perseguição das minorias, constante discriminação e também forte disseminação do discurso de ódio. Enquanto o mundo evolui para as ciências e tecnologia, alguns países parecem ter parado no tempo. E, coincidentemente, muitos desses países foram colônias europeias, ou seja, tiveram toda a sua expressão cultural pré-colonização perseguida e disseminada e uma nova forma de cultura foi imposta. Quero dizer, em nome da religião, idiomas se perderam, religiões antigas se perderam, expressões artísticas se perderam.

Enquanto a religião traz benefícios e interessantes expressões culturais, ao mesmo tempo ela é destruidora quando apaga culturas de uma existência singular.

Mas a cultura está em constante evolução, certo?

Para refletir:

A falácia do Estado laico surge quando o governante, que deveria defender a pluralidade cultural de um povo, defende apenas uma forma de expressão cultural. Tomando o Brasil  e os Estados Unidos como exemplos, países de inúmeras religiões e culturas, os atuais Presidentes da República, dizem representar a tradicional família cristã brasileira/estadunidense. E as culturas das famílias que pertencem a outras religiões? Deixam de ser parte desse todo? É uma questão muito grave, durante o século XXI, um governante fazer uma declaração dessas. O quanto é certo continuarmos elegendo governantes que montam seu time apoiados na religião, cientes da influência avassaladora que a religião tem sobre a sociedade? Se o mundo evolui, se a cultura evolui, como podemos fazer pra ajudar a nossa sociedade a evoluir e desvincular política de religião? Até que ponto iremos permitir o controle da população usando a religião para as decisões políticas?

Iremos construir um mundo melhor?

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Visitando o Mundo em tempos de reclusão

Por Helena Salgado

Com a indicação atual para não sairmos de casa em função da pandemia de Covid-19, muitos países estão adotando um sistema de quarentena impedindo – em alguns lugares com punições – que as pessoas circulem pelas cidades afetadas sem necessidade.

Quando o cenário mundial foi bruscamente alterado para conter a disseminação de um vírus, como fica a questão das viagens turísticas? E aquela viagem dos sonhos que precisou ser cancelada por causa do Coronavírus?

Pensando nisso, muitos países abriram as portas de seus museus, parques e monumentos permitindo às pessoas realizarem tours online, no conforto de suas casas. Alguns links pedem que o usuário tenha em seu aparelho o aplicativo Google Arts & Culture (recomendo que baixem o app, vale MUITO a pena!).

Essa é uma ótima maneira para se conhecer um lugar novo, aquele lugar dos sonhos, e até replanejar ou criar uma viagem incrível para ver de perto os mesmos lugares que podemos ver online.

Organizei uma lista com alguns tours virtuais imperdíveis de parques, museus e sítios arqueológicos de diferentes países. Dá uma olhadinha:

Austrália:

Brasil:

Egito:

Espanha:

Estados Unidos:

França:

Inglaterra:

Itália:

Japão:

Noruega:

Vaticano:

Vietnã:

Aproveite os tours para conhecer o mundo sem sair de casa e já planeje sua próxima viagem para conhecer de perto esses lugares maravilhosos!

Fontes:

Publicado em Cultura, Egito, Exposições, História, Viagens

Exposição CCBB Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade

Estive na exposição do CCBB sobre o Egito Antigo! E vou dizer… Fiz bem em reservar ingresso pra mais um dia!

Eu sou suspeita, pois sou apaixonadíssima por Antigo Egito. Estava ansiosa para essa exposição e fui correspondida: as peças são lindas, bem restauradas e conservadas. Confesso que foi emocionante ver de pertinho objetos que eu namorava nos meus livros de Egiptologia!

A exposição traz um pouco de cotidiano, rotina funerária e arte, e dá um gostinho para os brasileiros do que estará por vir no GEM, que inaugura esse ano no Cairo.

A coleção acolhida pelo CCBB veio do Museo Egizio di Turim, na Itália, um dos museus mais importantes sobre cultura egípcia fora do Egito.

A exposição está disposta em 6 andares do CCBB – subsolo, 4° andar, 3° andar, 2° andar, 1° andar e térreo. Começamos o passeio pelo subsolo, seguimos até o 4° andar de elevador, e de lá, fomos descendo de escada pelos outros andares até finalizar nosso passeio no térreo, onde tem a pirâmide em escala com atividades dentro e a lojinha, fora da exposição.

Não, eu não vou contar com detalhes o que tem em cada andar para não estragar o suspense!

Mas, para ter uma ideia, nessa exposição você vai ver maquetes, múmias de animais, uma múmia humana, acessórios, sarcófagos, itens funerários, estatuetas de deuses, uma linda e maravilhosa estátua de Sekhmet, fragmentos de túmulos e sarcófagos (portas falsas, piramidions e altar), um papiro com trecho do Livro dos Mortos, apetrechos para maquiagem… E tem um vídeo no subsolo falando sobre arte, confira!

A lojinha, ao final da exposição, tem livros e presentinhos bem lindinhos e fofos. Os imãs e bottoms são lindos! Eu comprei um livro (Agatha Christie, Akhenaton), um pingente de escaravelho e um bottom, e minha conta deu R$ 70,00. Siiim, um pouquinho salgado! Então minha dica: vá com dinheiro para gastar. Ou, se por acaso você tem viagem marcada para o Egito esse ano, NÃO COMPRE NADA! No Egito, vá ao Khan el Khalili e lá você vai comprar o triplo de coisa pelo valor de uma aqui. Chaveiros, canecas, pingentes, imãs… Se você vai ao Egito esse ano, não compre no CCBB a não ser que queira o temático da exposição.

Trust me!

Para entrar, eu reservei meus ingressos pelo app do Eventim. Não vi ninguém sem ingresso entrando, porém, ouvi relatos de que é possível entrar sem agendar horário/reservar ingresso. O passeio é organizado por fichas, ou seja, entra um número limitado de pessoas em cada sala, pois na entrada recebemos uma ficha que devolvemos ao sair e isso controla o número de pessoas que entra nos espaços.

Fotos são permitidas, porém, sem flash. Respeite, ok? E, inclusive, finalizo esse post com 4 fotos que tirei para aguçar a curiosidade de vocês.

Confira!

Ushabtis. O papel deles era substituir a alma do morto nos campos de trabalho no Além.
Pequeno sarcófago de falcão representando o Deus dos céus e da monarquia, Hórus.
Múmias de gatos e sarcófago para gato.
Detalhe de tampa de sarcófago.

O CCBB fica no Centro de São Paulo, há cerca de 5 minutos a pé da estação de metrô São Bento, linha azul.

Mas corre!! Pois a exposição vai só até o dia 11/05!