Publicado em História, Livros, Mundo, Política, Religião

Indicação de leitura: Monstro de Deus: feras predadoras – história, ciência e mito

Esta indicação de leitura é um livro escrito por David Quammen, escritor estadounidense que escreve sobre natureza, viagens e ciência.

Este é o único livro que tenho dele, e um dos meus favoritos. Por meio de uma análise investigativa de habitat, história e sociedade, o autor escreve sobre “feras devoradoras de homens” – leões, ursos, tigres e crocodilos – e explica por meio dessa análise como é a vida de pessoas que convivem com esses animais diariamente, dividindo um território com eles e tendo que adaptar seu estilo de vida. David nos faz pensar sobre como a figura predatória desses animais nos faz ter consciência da nossa própria existência e da nossa posição na cadeia alimentar. Ele faz um relato do simbolismo que esses animais têm para o nosso psicológico, e questiona o futuro das espécies nos fazendo pensar sobre o nosso impacto no meio ambiente por meio das nossas ações. Ao fim do livro, nos perguntamos sobre qual o nosso papel nesse planeta e de que forma estamos colaborando para a extinção das espécies. Nossas guerras, conflitos, expansão agrícola, etc, estão nos levando para qual futuro?

Eu fiquei em choque com as reflexões uns 3 dias! (risos 😀 )

É uma leitura forte, não só pelos dados chocantes que o autor apresenta, mas pela reflexão que acabamos fazendo durante a leitura. Conseguimos enxergar como as culturas se adaptam a esses animais, mas a que preço fazem isso?

Ficha Técnica:

  • Título: Monstro de Deus: feras predadoras – história, ciência e mitoMONSTRO_DE_DEUS_1235689771B
  • Autor: David Quammen
  • Editora: Companhia das Letras
  • País: Estados Unidos
  • Idioma: é possível comprar em português
  • Número de páginas: 448
  • Onde comprar: pela internet (faz uns anos que o comprei e não o vejo em livrarias físicas)
  • Preço: varia de R$ 17,00 a R$ 60,00 dependendo do site e das condições do livro (usado/novo)
  • Resumo extraído do livro: “‘Uma coisa é estar morto. Outra coisa é ser transformado em carne.’ A ideia de sermos devorados evoca em nós terror profundo. Quais as razões – psicológicas e evolutivas – desse medo? Motivado por essa pergunta, David Quammen parte aos quatro cantos do mundo, onde convivem humanos e feras devoradoras de gente: na Índia, os leões asiáticos são uma ameaça para o povo maldhari; na Austrália, crocodilos-marinhos estão muito próximos dos yolngus; no extremo oriente russo, tigres siberianos dividem o território com os udeges, e nos Cárpatos romenos, ursos-pardos palmilham as mesmas trilhas que os guardas-florestais. Ao longo do trajeto, o autor baseia sua reflexão em mitologia, teoria ecológica, literatura, zoologia, arte rupestre, conversas em aldeias remotas. Exímio contador de histórias e celebrado pensador da história natural, Quammen busca responder questões como: de que maneira o homem lida com o fato de fazer parte da cadeia alimentar? Resistirão essas feras ao crescimento da população humana? Quem sofre com sua extinção ou preservação?”

 

Pensando bem, acho que vou ler esse livro de novo! ❤

 

 

 

 

Por Helena Salgado

Publicado em Brasil, Medicina, Mundo, Política, Sociedade

Coronavírus, Março 2020

Por Raquel Sallum

No momento em que a Terra parou, no mês de março do ano de 2020, a sociedade brasileira foi submetida a uma quarentena devido a invasão de um misterioso vírus de nome Corona (Covid-19), que, por sinal, simbolicamente lembra uma coroa. Tendo iniciado seu reinado em nosso planeta no segundo semestre do ano 2019, ele trouxe à tona inúmeros problemas econômicos, psicológicos, sociais, biológicos e ambientais de uma humanidade saturada. 

No caso brasileiro, manifestações populares pediram socorro. Começamos com os panelaços em nossas varandas contra um presidente inconsequente que fazia escolhas entre salvar vidas ou salvar uma economia falida, como se estivesse jogando roleta russa com o Covid. O sistema rapida e desesperadamente buscou mudanças, atiçando um sistema capitalista falido. A experiência com o Corona tem nos mostrado o quanto somos frágeis; não foi necessária uma Terceira Guerra Mundial para nos provar isso, pois o desastre em mortes causadas pelo vírus, tanto lembra um cenário de guerra. 

Agora, tecnologias tomam as frentes, trazendo informações e aproximando vidas que, na atual conjuntura, apenas as máquinas nos conectariam como humanidade. As escolas e universidades adotaram um novo sistema emergencial de aulas online; as empresas colocaram trabalhadores em modelo home office; os transportes públicos, superlotados, diminuíram a lotação. As ruas passaram a ser mais limpas; ônibus e metrôs passaram a ser higienizados com maior frequência; empresas privadas passaram a voltar suas atividades e economias para auxiliar o setor de saúde – hospitais receberam máquinas e investimento -; estádios de futebol foram transformados em hospitais de campanha emergenciais. As pessoas a as administrações públicas (não o presidente da República, claro) começaram a se preocupar com a higienização das cidades e das famílias, trazendo a importância da limpeza e da higiene como combate ao vírus. A saúde passou a ser uma prioridade e as pesquisas científicas entraram em uma corrida para encontrar a uma cura para o Corona. Porém, na contramão de tanta coisa boa acontecendo, há os aproveitadores, que superfaturam preços de máscaras, álcool em gel, luvas, álcool: artigos simples que em alguns lugares estão custando como se fossem artigos de luxo, tendo o preço subido quase 400%! 

As pessoas, agora, podem olhar internamente para suas vidas e podem compreender sua existência enquanto param. Tiveram que inverter os valores do que realmente importa. Reflexão que não se aplica ao nosso atual presidente da República, senhor Jair Messias Bolsonaro. Com argumentos ilógicos e desconexos, chamando a pandemia de “gripezinha”, insiste para que tudo seja como sempre foi e que continuemos nossas vidas como se uma tragédia não estivesse acontecendo (e em TODO o planeta!). O presidente não quer que a atividade econômica pare, protegendo, assim, os supersalários e benefícios surreais dos ministros – para ele é normal arriscar vidas por um ministério que nada faz pela própria população. 

O Corona trouxe à superfície problemas que estavam escondidos debaixo do tapete da nossa sociedade e do nosso governo, se mostrando uma situação pronta a explodir como uma bomba-relógio. O Covid nos obrigou a fazer uma pausa para pensarmos em nós e em nosso planeta, é só observar como a natureza tem reagido à reclusão humana. Essa pandemia veio como um lembrete do que realmente precisa ser transformado.