Publicado em Cultura, Inteligência Cultural, Livros, Mundo, Negócios, Secretariado, Sociedade, Viagens

Indicação de leitura: Os Nortes da Bússola – Manual para conviver e negociar com culturas estrangeiras

Você está com uma viagem marcada – seja ela de negócios ou de lazer – e tem o desejo de aproveitá-la ao máximo, independente do tempo que você for ficar no lugar. Claro que dicas de blogs ou agências de turismo ajudam nas dicas superficiais, aquelas do tipo “o que comer”, “onde ir”, “gestos a evitar” e etc.

Mas você sabia que, aprimorando sua Inteligência Cultural você consegue ter uma imersão no lugar e transformar sua experiência de forma extremamente natural?

Trabalhar sua Inteligência Cultural vai te colocar um passo a frente dessas dicas básicas de guias turísticos. Você vai ter uma compreensão melhor do mundo, comportamentos e sociedades, e, de quebra, ainda vai te ajudar com uma reflexão de autoconhecimento.

Assim, tenho mais uma indicação de leitura na área para quem quer desenvolver suas habilidades interculturais e, literalmente, mudar sua vida reavaliando seus prórpios comportamentos e experiências!

A dica de leitura é o livro Os Nortes da Bússola – Manual para conviver e negociar com culturas estrangeiras.

Um livro super gostoso e fácil de ler, com dicas e curiosidades muito legais acerca de algumas culturas, o que nos instiga a repensar nosso comportamento durante nossas viagens. É um livro mais voltado para quem viaja a negócios, mas dá pra aproveitar as dicas para viagens turísticas também, especialmente se você é dessas pessoas que se aventuram viajando sozinhas!

Recomendo ter na prateleira pois é um livro que, mesmo que trate de psicologia e comportamento intercultural, possui dicas que são extremamente valiosas para qualquer pessoa que deseja ter uma imersão cultural bem detalhada!

Ficha Técnica:

Título: Os Nortes da Bússola – Manual para conviver e negociar com culturas estrangeiras

Autores: Andrea Sebben e Fernando Dourado Filho

País: Brasil

Idioma: português

Número de páginas: 205

Onde comprar: pela internet

Preço: varia de R$ 9,99 a R$ 50,00 de acordo com o site

Resumo extraído do livro: Por Luis Fernando Veríssimo: “Globalização, internet, comunicação instantânea… Nunca o mundo todo foi tão acessível a todo mundo. E, quanto mais fácil fica o acesso a este mundo de todos, mais nos damos conta da sua diversidade cultural e da nossa necessidade de conhecê-la melhor. Hoje ser bem informado sobre história e costumes de outros povos não é uma decorrência apenas da curiosidade intelectual ou de um interesse turístico passageiro, é quase uma condição para o sucesso em muitas áreas e certamente condição para ser um cidadão integrado na admirável nova comunidade internacional que se desenha. Os nortes da bússola serve como guia para este futuro e como referência para as exigências do presente. Boa viagem, bons negócios, bom intercâmbio e boa leitura!

Publicado em Cultura, História, Inteligência Cultural, Mundo, Negócios, Religião, Sociedade

Cultura, religião e política: como um influencia o outro e como isso afeta nossa vida

Você já parou pra pensar como cultura, religião e política estão conectados? E qual o impacto dessa conexão nas nossas vidas? Conceitos tão diferentes mas, que acaba sendo difícil você falar sobre um sem comentar sobre o outro.

É muito comum entender que religião é uma forma de cultura e política não.

Pra melhorar a compreensão da ideia geral, base deste post, primeiro quero abordar separadamente, e em linhas gerais, o que cada conceito significa. Não farei uma abordagem profunda, nem pretendo citar pensadores e estudiosos que escreveram sobre o que cada conceito representa, sendo esta, uma proposta para outros posts.

Por ora, vou ficar com as ideias centrais dos conceitos para, enfim, abordar o tema central deste post: cultura, religião e política, e como as ideias se conectam e moldam a nossa sociedade.

É importante, também, que você leitor compreenda que meu texto é a expressão de uma ideia, baseada em fatos históricos, e de forma alguma eu busco denegrir alguém ou alguma religião específica. Os exemplos citados são usados para convidá-l@ a refletir sobre uma problemática embutida na sociedade desde tempos antigos. E, convido-os ao final, a pensar em como podemos mudar essa realidade e caminhar para uma evolução justa de cultura e sociedade.

Cultura

Cultura é um conceito complexo de ser explicado de maneira única. Mas, nada mais é do que uma forma de expressão e aprendizado. Cultura pode ser caracterizada como a identidade de uma nação ou de um grupo social, estando inseridas nela outras culturas menores, as culturas que isoladamente compõem a identidade daquele povo ou grupo, sendo observada em variações culturais regionais (por exemplo, as festas da região do nordeste brasileiro). A cultura também vai expressar as ideologias, a personalidade e até a visão política de um determinado país; se é uma nação conservadora, uma nação inovadora, uma nação idealista, coletivista, etc. Cultura é costumeiramente associada às civilizações, e também a aspectos como arte, música, festas, linguística, geografia, etc. A cultura é uma forma de estudar as sociedades e poder compreender o momento histórico no qual estão inseridas.

Religião

Religião caracteriza o conjunto de visões de mundo, valores e crenças de um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos que expressam suas crenças por meio da fé. A maioria das religiões possui um sistema de hierarquias e líderes que determinam ou detém símbolos e direcionam ou induzem comportamentos relacionados à crença que professam.

Política

Política, refere-se às organização e administração dos Estados e nações. Ela organiza as ideias de administração interna e externa.

E como tudo se conecta e se influencia? Qual o impacto da conexão entre esses conceitos em nossa sociedade?

Agora que já sabemos como definir os conceitos de cultura, religião e política, como enxergamos a conexão entre eles e a influência? Isso pode ser usado para manipular as pessoas? Para influenciar o que fazemos no nosso dia a dia?

A reposta para as duas perguntas acima é: sim.

Religião e política influenciam diretamente a forma como produzimos cultura. E isso vem desde os primórdios da humanidade.

Uma das primeiras expressões culturais datadas que temos da história do ser humano são as pinturas em cavernas que precedem as civilizações. Grande parte dessas pinturas é uma expressão cultural de caráter religioso. Sem compreender muito do mundo ao seu redor, o homem pintava nas paredes coisas que faziam sentido para a visão de mundo que ele tinha naquele momento: se ele pintasse os animais nas paredes, os animais estariam presos magicamente e isso facilitaria a caça – por exemplo. Logo, para explicar o mundo, o homem começou a produzir arte (cultura) religiosa: estátuas de mulheres de quadris largos que representavam fertilidade, pinturas de festas celebrando as estações, e a agricultura… A crença humana se baseava em uma força que concedia os dias e as noites; o ciclo do sol era algo mágico onde o sol sumia e o mundo travava uma batalha contra as trevas todas as noites.

Assim, figuras de poder foram surgindo, de forma que conseguiam, por meio de uma retórica extremamente eficaz, convencer as pessoas a cumprir certos rituais para que os dias sempre surgissem – por exemplo, os rituais de sacrifício maias e astecas que, com a doação de sangue humano, acreditavam garantir o funcionamento do universo agrandando os deuses com sacrifício humano. No Egito Antigo, acreditava-se que o deus-sol Rá, durante os eclipses, batalhava com a serpente do caos Apófis, e diversos rituais eram feitos para ajudar o deus a vencer, bem como a população acreditava que os dias de eclipse eram dias de muito azar e, por isso, ninguém deveria sair de casa. Essas figuras de poder, que controlavam os sacrifícios e os rituais durante o eclipse, eram os sacerdotes. E, em praticamente todas as sociedades antigas, o rumo que um governo tomava, estava fortemente conectado às opiniões desses sacerdotes. Pois eles sabiam como agradar aos deuses.

Logo, a figura do governante estava conectada à dos líderes religiosos. Como? Os governantes legitimavam seu poder usando a religião (o deus X era pai do rei e, portanto, lhe foi concedido o direito divino de governar). Então, conforme o deus concedia o trono àquele líder, festas eram organizadas para celebrar a divindade do rei tanto para agradar aos deuses como para felicitar o povo e para mostrar a opulência e generosidade do novo governante. Nessa época, política era feita baseada em festivais, dias de sorte ou azar e no humor dos deuses. E a produção cultural? A produção cultural tinha, também, forte influência religiosa com impactos de política. O exemplo mais famoso e simples que encontramos é sobre o Faraó Ramsés II, do Egito. Ramsés, em vida, foi considerado um deus. Ramsés é um dos faraós mais famosos da história egípcia pelo simples fato dele ter usado a política e a religião para fazer propaganda. E o que ele fez? Ele usurpou obras de faraós que o precederam (sim, entendam que ele roubou e colocou o nome dele na maior cara de pau! rs) justamente pra espalhar seu nome e influência por todo o Império Egípcio e, ainda, construiu estátuas e templos colossais (vide os templos de Abu Simbel) para que, não só fosse feita propaganda política do seu poder nas fronteiras, mas assim, ele seria legitimado como um deus entre os homens. A expressão artística durante a Antiguidade era uma mistura inseparável entre religião e política.

Até aqui, você já pode imaginar como religião e política moldaram as civilizações antiga, certo?

Vamos continuar!

Da Antiguidade para a Idade Média, a influência da religião na política pode ser vista, por exemplo, nas Cruzadas, na Inquisição e no direito divino que o rei dizia ter quando assumia o trono. Religião garantia poder pois controlava o pensamento da massa trabalhadora. Ou seja, desde a Antiguidade, sendo uma artimanha aprimorada durante a Idade Média, a religião controlou a política. Religião controlava terras, pessoas e guerras. A expressão cultural da Idade Média assume um caráter religioso muito forte, e pode ser visto, especialmente, nos murais e nos quadros que se conservaram até os nossos dias.

Outro ponto importante do controle que a religião exercia sobre a política era com relação a ciência. Poucos avanços científicos e tecnológicos (se compararmos com o Renascimento) aconteceram durante a Idade Média pois havia a forte influência da Igreja na perseguição às novidades e a qualquer coisa que pudesse questionar a autoridade religiosa do líder. Assim, sob o controle da religião, o Estado Medieval condenava inovações, descobertas e qualquer outra coisa que fosse “fora da caixa” e da zona de conforto do governo. A expressão cultural medieval era muito influenciada pela religião, como podemos ver nos relatos das Cruzadas e da própria Inquisição. O medo da morte sem perdão e do inferno, era o que direcionava a vida do homem medieval.

Agora imagino que você tenha feito um paralelo com os dias atuais, certo?

Da Idade Média para a Idade Moderna, nada parece ter mudado muito. Nossa expressão cultural sofre ação direta da política e da religião. E isso é visto especialmente na diferença entre classes e nas decisões que os representantes do governo precisam tomar. Hoje, ainda mais do que na Idade Média, precisamos ter cuidado com a forma como nos expressamos ou podemos cair num conflito religioso e/ou político. As problemáticas da nossa sociedade têm como um núcleo comum conflitos políticos e religiosos.

O perigo de misturar tanto política e religião, é o controle das massas que deixam de pensar e de se expressar conforme bem gostariam ou conforme a sociedade evolui. Enquanto o Estado (ou seja, nação) não desvincular completamente a religião da política, continuaremos a ver a perseguição das minorias, constante discriminação e também forte disseminação do discurso de ódio. Enquanto o mundo evolui para as ciências e tecnologia, alguns países parecem ter parado no tempo. E, coincidentemente, muitos desses países foram colônias europeias, ou seja, tiveram toda a sua expressão cultural pré-colonização perseguida e disseminada e uma nova forma de cultura foi imposta. Quero dizer, em nome da religião, idiomas se perderam, religiões antigas se perderam, expressões artísticas se perderam.

Enquanto a religião traz benefícios e interessantes expressões culturais, ao mesmo tempo ela é destruidora quando apaga culturas de uma existência singular.

Mas a cultura está em constante evolução, certo?

Para refletir:

A falácia do Estado laico surge quando o governante, que deveria defender a pluralidade cultural de um povo, defende apenas uma forma de expressão cultural. Tomando o Brasil  e os Estados Unidos como exemplos, países de inúmeras religiões e culturas, os atuais Presidentes da República, dizem representar a tradicional família cristã brasileira/estadunidense. E as culturas das famílias que pertencem a outras religiões? Deixam de ser parte desse todo? É uma questão muito grave, durante o século XXI, um governante fazer uma declaração dessas. O quanto é certo continuarmos elegendo governantes que montam seu time apoiados na religião, cientes da influência avassaladora que a religião tem sobre a sociedade? Se o mundo evolui, se a cultura evolui, como podemos fazer pra ajudar a nossa sociedade a evoluir e desvincular política de religião? Até que ponto iremos permitir o controle da população usando a religião para as decisões políticas?

Iremos construir um mundo melhor?

Publicado em Cultura, Cultura Árabe, Egito, Idiomas, Inteligência Cultural, Mundo, Negócios

O idioma árabe – اللغة العربية

!مرحبا! أنا هيلينا وأدرس اللغة والثقافة العربية

Traduzindo: “Olá! Eu sou a Helena e estudo o idioma e a cultura árabe!”

Vamos conversar um pouco sobre um dos idiomas que tem tido maior destaque ultimamente?

Um pouco de História

O idioma árabe é uma língua de origem semita, relacionada ao hebraico, ao fenício, ao aramaico e ao ugarítico. Isso quer dizer que essas línguas têm as mesmas origens. O árabe é falado por quase 300 milhões de pessoas, sendo o idioma oficial de 26 países. Ele perde em número de falantes para o inglês, o espanhol e o francês. E isso é muito curioso, pois inglês, espanhol e francês são idiomas colonizadores, ou seja, foram difundidos durante a época das grandes navegações e colonizações, durante os séculos XIV, XV e XVI. Mas então como o árabe se espalhou tão rápido se os árabes não foram colonizadores? A língua árabe foi amplamente difundida por causa do Islã. Grande parte de muçulmanos encontram-se na Europa e na América do Norte. E uma das chaves da religião é aprender a ler o Alcorão em árabe, para rezar e meditar na língua materna dessa religião.

Gramática

Estruturalmente, o árabe é escrito/lido da direita para a esquerda, e em nada se parece com o nosso português ou com o inglês. Por isso, nós ocidentais, costumamos dizer que é difícil e confuso de aprender.

O alfabeto é composto por 28 letras, e cada uma possui a sua forma de ser usada em uma palavra, ou seja, a letra muda quando usada no começo da palavra, no meio da palavra ou no final da palavra. Não é como no português, que uma letra tem apenas um formato e acento específico que lhe cabe. Tomemos como exemplo, as letras “Ba” (ب) e “Shin” (ش):

  • ب – ba – fonética: “bá”

Imagem letra Ba

  • ش – shin – fonética: “shá”

imagem letra Shin

Diferentemente dos idiomas latinos, as letras árabes tem formatos diferentes dentro das palavras e usos diferentes, como mostrei acima, isoladamente. E, ainda, há aquelas que não conectam no meio da palavra, ou seja, há um espaço entre uma letra e outra, como se pode ver na palavra café: قهوة.

O alfabeto árabe é composto por 28 letras, e a ordem em que se aprende as letras (como o nosso A, B, C, D) pode variar levemente de uma região para a outra. Conta-se 29 letras, se o hamza(ء) for contado dentro do alfabeto.

Além das letras, há os acentos, que encurtam e alongam as vogais, fecham e abrem os sons das letras. As vogais básicas, são A, I e U. Mas esses acentos as transforam em O e E de acordo com a palavra.

No árabe há, também, sons específicos para cada letra. Algumas letras não possuem sons conhecidos equivalentes no português. Mas, falantes de alemão, por exemplo, terão facilidade em pronunciar algumas letras, que têm o som pronunciado a partir do músculo da garganta.

Árabe Clássico, Falado e Moderno. Quais as diferenças?

Árabe Clássico, é aquele usado no Alcorão. Que costumam nos ensinar nos cursos (um árabe que pode ser usado em qualquer lugar de língua árabe, independente da origem de quem ensina, Líbano, Síria, Jordânia, Egito…) como idioma comum para se ter uma conversa. Ou seja, com o árabe clássico, você consegue se comunicar em qualquer país de língua árabe.

Árabe Falado, é aquele que varia de região para região. As palavras possuem variações na sua pronúncia, assim como acontece com o português, no Brasil. As palavras que usamos em São Paulo, têm uma conotação e pronúncia diferentes do que na Bahia, por exemplo. Aqui, estão as variações linguísticas e regionais, os dialetos, as gírias, a linguagem popular.

Árabe Moderno possui, em seu vocabulário, palavras estrangeiras, e é a língua evoluída e adaptada. Os idiomas nunca deixam de evoluir com a sociedade, eles se adaptam ao contexto em que a sociedade vive naquele momento.

Curiosidades

Atualmente, o árabe é um dos idiomas mais importantes do mundo, e não apenas por causa da religião. Para o mundo dos negócios, é um idioma que está crescendo muito, ao lado do chinês. Hoje, além da religião, a língua árabe tem sido espalhada pelo mundo por meio dos refugiados e imigrantes, que adentram os demais países com sua cultura, culinária, costumes e, claro, o idioma.

O árabe é um dos 6 idiomas oficiais das Nações Unidas, junto com inglês, francês, chinês, russo e espanhol.

Mesmo que você não fale árabe, tenho certeza de que você conhece ou usa palavras de origem árabe constantemente no seu dia a dia. Quer ver?

  • Açúcar          السكر        (sukar)
  • Álgebra         الجبر        (aljabar)
  • Arroz             أرز          (aruz)
  • Azeitona       زيتون        (zaitun)
  • Café                قهوة         (qahua)
  • Limão            ليمون        (laimun)
  • Zero               صفر         (sifr)

 

E então? Se animou pra aprender o árabe, ou se assustou? rs

Em outros posts irei desmistificar mais esse idioma, e trazer algumas aulinhas bem básicas pra vocês. Sou suspeita de dizer que acho um idioma fácil e lindo, pois eu é algo que eu amo estudar!

Por isso, te convido a ficar de olho no blog para as dicas que trarei futuramente para aprender esse idioma!

Até mais! — !إلى اللقاء

 

 

Helena