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Série: Minhas viagens – post 04/06 – Chile 2016

Como comentei no post anterior sobre minhas viagens, “quebrei” o post sobre o Chile porque ficaria muito extenso. Então, serão 3 posts sobre o Chile, tendo em vista que visitei esse país em anos diferentes, para finalidades diferentes com companhias diferentes. Ou seja, eu não era a mesma pessoa em cada visita que fiz! A única coisa que permaneceu a mesma desde a primeira visita foi o carinho que desenvolvi pelo Chile, por toda a cultura, culinária, passeios, povo e natureza! Voltarei muitas vezes!

Em 2016 tive uma oportunidade muito incrível de conhecer todo o norte do Chile e o sul do Peru de carro em uma viagem que durou cerca de 28 dias. Isso mesmo, de carro! Apenas eu, meu ex-namorado e… o carro! Na época não falei isso pra ele, mas muitas vezes achei que íamos ficar perdidos no meio do deserto! Há 4 anos tínhamos GPS no 4×4, mas mesmo assim eu fiquei com medo! hahaha

2016 foi a primeira vez que visitei o Chile. Meu ex já estava em Santiago com o carro, e me encontrou no aeroporto. Ele já conhecia a cidade, então me levou rapidinho pra conhecer o centro e andar de metrô porque logo no dia seguinte seguiríamos para Valparaíso. Portanto, não é nesse post que falarei sobre Santiago, porque eu jurei que voltaria para conhecer a capital. Aguardem, pois no próximo post sim, falarei sobre Santiago!

No Chile você não precisa chegar falando espanhol, e os chilenos vão te ajudar com o vocabulário. Eu coloquei meu espanhol à prova com essa viagem e foi um enorme aprendizado; ou eu me comunicava ou eu não ia aprender nunca e, principalmente, não ia aproveitar absolutamente nada da viagem! Afinal, eu não podia depender só do meu namorado para falar por mim e traduzir coisas que eu entendia. Então não parta do pressuposto que os outros precisam te entender só porque você é turista. Coloque em prática um ensinamento de Inteligência Cultural: aprenda algumas palavras em espanhol (ou do país que você for visitar) pois irá melhorar sua experiência, sua comunicação e enriquecer sua viagem.

Vou contar pra vocês sobre algumas das cidades do roteiro que fizemos e mais me marcaram, seguindo de Santiago até a fronteira com o Peru! Nessa viagem eu estava muito ansiosa pelo tempo que eu ia passar fora (praticamente um mês) e pela novidade que ia ser pois a viagem foi planejada do zero, sem a assistência de agências de turismo. Os passeios que fizemos, especialmente no Peru, foram contratados no local mesmo. Tudo foi arranjado usando internet e a vontade de conhecer e desbravar cada novidade que o dia trazia.

E foi com essa viagem que eu quebrei o tabu de viajar sozinha e de “ter medo” de falar com as pessoas!

Valparaíso

Estive duas vezes em Valparaíso (2016 e 2020) e vou confessar: não gostei muito. Valparíso é uma cidade “bonitinha”, bem colorida. Mas ela tem um projeto muito desorganizado! rs (talvez por isso eu não goste tanto!) É uma cidadezinha apertada – dois carros tentarem passar pela mesma rua é um desafio dos deuses! – construída em um morro. Ou seja, as ruas são praticamente todas íngremes. Eu é que não dirijo nesse lugar mas nem que me paguem, a chance pro desastre é enorme! Frequentemente os brasileiros comparam Valparaíso com as favelas do Rio de Janeiro; a diferença é que Valparaíso não é uma favela, ela foi projetada assim. Valparaíso tem sim uma vista maravilhosa do principal porto chileno, e é sim uma cidade simpática e com bastante atração e comidas maravilhosas. Mas eu esperava muito mais. Do meu ponto de vista (minha impressão pessoal, ok?) é muito marketing pra pouca fidelidade à realidade.

Antofagasta

Em Antofagasta há atrações turísticas e, talvez, a mais famosa seja a La Portada, um monumento de pedra que lembra um grande acesso em forma de arco. Antofagasta é uma das cidades mais importantes do norte do Chile, com shoppings, museus e outras atrações, como as ruínas arqueológicas de Huanchaca. Quem é de cidade grande vai se adaptar fácil a essa cidade, assim como em Santiago. Uma cidade que eu voltaria com o maior prazer para conhecer mais!

San Pedro de Atacama

Ah, San Pedro! Quem vai ao Chile recomendo muito que se programe para ir a San Pedro! Fomos de carro desde Antofagasta (outra opção é ir de avião, mas conto no terceiro post sobre isso), o que dá cerca de 4 horas ou menos de viagem. 4 dias são suficientes para fazer bastante coisa! Se quiser curtir ao máximo essa cidadezinha apaixonante, 1 semana valerá a pena!

San Pedro de Atacama é uma cidade muito acolhedora, e feita para quem gosta de aventura e natureza. O mundo todo está em San Pedro pois você escuta todos os idiomas possíveis nas ruas e nos restaurantes. Se for viajar sozinho, fará amizades com certeza! Não recomendo para viagens muito românticas (apesar de ter passeios com paisagens de tirar o fôlego!) a não ser que seja um casal que não se importe com luxos e goste de criar novas e ótimas memórias! San Pedro é lugar para levar a família pois tem passeios que agradam a todos, desde as lagunas, até visitar sítios arqueológicos, museus de astrologia e arqueologia, feirinhas ( ❤ ) e observação da natureza. Há alguns hotéis com instalações que podem agradar as crianças, porém são mais caros do que a média das hospedagens comuns. Bebês? Não recomendo porque além da alta altitude em que se encontra a cidade, o clima é muito seco (lembre que ela está localizada no coração do Atacama, o deserto mais árido do mundo!); então, se for levar crianças, leve crianças maiores. As acomodações na cidade tendem a ser um pouco mais rústicas, mas ainda assim confortáveis. Quando nos hospedamos em San Pedro, escolhi para nós barracas de camping. Lição aprendida na marra porque no deserto faz mesmo muito frio de madrugada (eu sabia, mas queria sentir a experiência HAHAHA) e, se você tem a imaginação fértil como eu, talvez não durma direito pensando nos milhares de seres noturnos do deserto que poderão estar à espreita da sua barraca ou de ovnis que podem estar sobrevoando o Atacama enquanto você dorme em uma barraquinha!

Então, segue uma lista de algumas coisas para fazer em San Pedro sozinho, em casal, ou em família/amigos:

  • Lagunas
  • Geisers del Tatio (o espetáculo acontece lá pelas 06:00/antes, e é frio abaixo de zero!)
  • Termas de Puritama
  • Sítios arqueológicos
  • Museus de astronomia e arqueologia
  • Feirinhas de artesanato
  • Ótimos restaurantes
  • Observar as estrelas (os famosos passeios noturnos no deserto)
  • Ornitologia (observar pássaros)

Só para constar: o Atacama é considerado o deserto mais árido do mundo, mas nas duas vezes em que estive lá, 2016 e 2020 choveu. Pois é. Dei sorte, ou dei azar? Meu ex dizia que eu tinha pé frio pra atrair chuva… Tirem suas próprias conclusões!

Iquique

Em Iquique tem o “shopping” da Zona Franca, mas não compensou comprar nada, estava mais em conta e com maior variedade comprar coisas pela cidade. Em Iquique, também, é possível avistar lobos marinos (leões marinhos) próximos às feiras de peixe e frutos do mar. Saindo de Iquique seguindo para Arica (fronteira com o Peru) há alguns geoglifos, como o Gigante de Tarapaca, uma figura humanoide gigante gravada em uma montanha (gente, pra ver esse gigante o carro atolou na areia! A areia ao redor da montanha é tão macia e fofa que o carro deu uma leve afundada!). Há também um museu de antropologia conforme mais se aproxima de Arica.

Aqui fizemos uma passagem interessante pela cidade fantasma de Humberstone. Ela fica exatamente onde a Panamericana (principal rodovia que cruza o Chile) tem o acesso para Iquique. Eu gostaria de ter parado para ver a cidade, mas ela não estava programada. Estávamos cansados, com calor e com fome, e na época não sabíamos o quão assombrada era Humberstone. Mas, está aí mais uma desculpa para voltar ao Chile (claro, a louca dos fantasmas)!

Arica é onde terminou nossa viagem pelo Chile, que é a cidade que faz fronteira com o Peru. É uma ótima cidade para descansar, tirar fotos e fazer compras. Nos disseram que seria melhor fazer compras em Tacna (no Peru após a fronteira), mas quando chegamos em Tacna os preços eram os mesmos!

Minha impressão dessa viagem que fiz em 2016 foi a melhor de todas, e foi essa experiência que abriu minha imaginação para caçar mais aventuras, testar minhas habilidades de Inteligência Cultural pelo mundo e criar ótimas memórias. Postos de gasolina são raríssimos ao longo da Panamericana e, mais comuns, são cemitérios, cidades fantasmas e pequenos monumentos feitos para os mortos ao longo das estradas.

Foram cerca de 13 dias cortando o Atacama de carro, falando espanhol, comendo culinária chilena e tendo a Cordilheira como companheira dessa breve travessia! O chile me surpreendeu muito pois eu achava que veria só vinho, pisco, futebol e ceviche. E para a minha surpresa, vi muito mais do que eu esperava e ainda há muito para eu descobrir!

Principal lição aprendida com essa experiência: viajar de mente aberta, com curiosidade, e sem medo do que irei aprender!

Vamos para algumas fotos dessa viagem? 😀

Acompanhe a série sobre as minhas viagens:

Helena